Outro romance de minha autoria, "O embolador que faliu Satanás" trata de Batista, um embolador vagabundo que, viciado em jogo, morre e desce ao inferno para pagar pelo seu pecado capital, onde, após disputar um verdadeiro campeonato de porrinha com São Pedro, acaba com a indústria diabólica das profundas. A história é baseada num conto medieval francês, de Jakes de Basin, intitulado de "O jogral que esvaziou o inferno".

A capa, mais uma vez, traz uma xilogravura autoral, com a figuração de uma cena que representa o ápice da narrativa. Segue abaixo um trecho do cordel.
Desde que força se falte
Tudo pode virar vício.
Num instante simples hábito
Se transforma em precipício.
Mas nem sempre uma mania,
Mesmo reles ou vadia,
Traz revés e malefício.
Assim deu-se com Batista;
Embolador talentoso,
Conhecido por ser manso,
Bonachão, muito jocoso,
Mas andejo e vagabundo,
Mais que qualquer um no mundo
Era mole e preguiçoso.
Tudo pode virar vício.
Num instante simples hábito
Se transforma em precipício.
Mas nem sempre uma mania,
Mesmo reles ou vadia,
Traz revés e malefício.
Assim deu-se com Batista;
Embolador talentoso,
Conhecido por ser manso,
Bonachão, muito jocoso,
Mas andejo e vagabundo,
Mais que qualquer um no mundo
Era mole e preguiçoso.
De dia perambulava
Por feiras, festas, calçadas,
Pelejando no improviso,
Nos cocos, nas emboladas.
Divertia o povo inteiro
Cantando com seu pandeiro
As rimas mais debochadas.
De patética aparência:
Gordo, feio e desdentado.
Em vestes esmolambadas
Trajava, mal-amanhado.
Sempre sujo como um cão
Que se espoja pelo chão;
Maltrapilho e descalçado.
Muito embora ele apurasse
O bastante pra passar
Sem vergonha, sem vexame,
Nunca pôde prosperar.
Viveu sempre em condição
Semelhante à de ladrão
Que não aprende a roubar.
Por feiras, festas, calçadas,
Pelejando no improviso,
Nos cocos, nas emboladas.
Divertia o povo inteiro
Cantando com seu pandeiro
As rimas mais debochadas.
De patética aparência:
Gordo, feio e desdentado.
Em vestes esmolambadas
Trajava, mal-amanhado.
Sempre sujo como um cão
Que se espoja pelo chão;
Maltrapilho e descalçado.
Muito embora ele apurasse
O bastante pra passar
Sem vergonha, sem vexame,
Nunca pôde prosperar.
Viveu sempre em condição
Semelhante à de ladrão
Que não aprende a roubar.
(...)
E quando o Diabo partiu
Com todo o seu regimento,
São Pedro, que tudo ouvia
Do elevado firmamento,
Decidiu rumar, então,
Às profundezas do chão
Naquele exato momento.
Com um saco de moedas,
Um punhado de palitos,
São Pedro entrou no inferno
Ao som de penosos gritos,
Pensando: – Daqui só saio
Tendo cheio meu balaio
Das almas destes aflitos.
E com Batista foi ter,
O qual encontrou penando,
Atirando grandes toras
Ao fogo que ia queimando
E chamou-lhe pra jogar
Um joguinho de azar
Com todo o seu regimento,
São Pedro, que tudo ouvia
Do elevado firmamento,
Decidiu rumar, então,
Às profundezas do chão
Naquele exato momento.
Com um saco de moedas,
Um punhado de palitos,
São Pedro entrou no inferno
Ao som de penosos gritos,
Pensando: – Daqui só saio
Tendo cheio meu balaio
Das almas destes aflitos.
E com Batista foi ter,
O qual encontrou penando,
Atirando grandes toras
Ao fogo que ia queimando
E chamou-lhe pra jogar
Um joguinho de azar
Com moedas apostando.
(...)
Adquira o seu exemplar através do e-mail eduardomacedobms@gmail.com.

2 comentários:
Lembrando aquela mãozinha
Segurando o lápis de cor
Inventando personagens revistinhas
E a mão em tudo por
Nenhum brinquedo inteiro
Ficava ao seu redor
Em segundos desmontava
E vinha coisa melhor
Num instante recriava montava
Era um primor
Tinha cara de gaiato
E de fato e sem clamor
Nem sequer o seu retrato
Podia sair melhor
Inventava personagens
Caretas e vadiagens
Que para um momento certeiro
Era preciso um dia inteiro
Hoje vendo suas bravuras
Mãos adultas tão seguras
Fico aqui a matutar
O homem que hoje vejo
Volta inteiro num lampejo
No meu colo a sossegar
Juro que não esperava tudo isso dele não
Pintava, tocava, bulia
Mas, juro mesmo eu não sabia
Que ele transformaria um pedaço de madeira
Em paisagem brasileira
E ainda em poesia
Que se pode ver, ouvir e sonhar...
Lúcia menezes, sua mãe
O cordel é força nossa
Filho do seco Nordeste
Assim como todos nós
É mais um cabra da peste
Que sabe falar rimando
Com beleza vai cantando
Com inspiração celeste
parabéns pelo trabalho!
Postar um comentário