domingo, 6 de setembro de 2009

O jangadeiro voador

Acabo de lançar meu segundo romance de cordel pela Tupynanquim Editora, intitulado de “O jangadeiro voador”. Trata-se duma suposta lenda cearense, ambientada numa aldeia pescadora habitada por caboclos descendentes de portugueses e tremembés, fronteiriça ao Piauí, na qual um pescador e mestre-jangadeiro constrói uma jangada a fim de resgatar sua noiva que o vento levara aos céus. A história foi inspirada na música “Ridimuín (jangada aérea)”, do grande artista Cariri, Geraldo Júnior (escute-a em http://www.geraldojunior.com.br/). A xilogravura que ilustra a capa mostra o navegador voando na sua jangada sob a orientação de seu astrolábio.


Veja um trecho do cordel:

Uma legenda esquecida
Praieira, do meu lugar
Relata uma antiga história
Sobre homem, vento e mar
Sobre um fantástico herói
Dum recôndito lugar.

Num povoado costeiro
Pelos homens esquecido
Pelo tempo desprezado
Já pelo mar engolido
Existia um clã pesqueiro
De povo nobre, aguerrido.

Situava-se a aldeia
No oeste do Ceará
Fronteiriça ao Piauí
Tinha o nome “Samburá”
Nela vivia um caboclo -
O vulgo “Beijupirá”.

Bastante nobre e valente
Seu nome: Justiniano
Tinha sangue tremembé
Caldeado a lusitano
Ambos ascendentes que
Lhe legaram o oceano.

(...)

Com bravura ele pescava
Fosse com rede ou com linha
Na espera ou no arpão
Desde o cação à tainha
Biquara, camurupim
Guaiuba, serra, sardinha.

Também era ofício seu
Igualmente a pescador
O de mestre-jangadeiro
Pois fazia com primor
As naus pesqueiras da aldeia
Mostrando grande valor.

Toda esta intrepidez
Energia e destemor
Eram contidos somente
Pelo perfume da flor
Que lhe estava prometida
A ser seu eterno amor.

Batizada por Jandira
Inspirava por beleza
O dulçor de todo favo
Que possui a natureza
Na sua boca o sabor
Nos traços, delicadeza.

(...)

Mas durante esses passeios
O vento que lhe cruzava
Revolvia seus cabelos
E seu perfume cheirava
Como um ladrão que cobiça
Com ambição desejava.

Naquele dia, portanto
Sabendo do casamento
Intencionando roubá-la
Capturá-la ao firmamento
Para poder possuí-la
Soprou em feitiço, o vento.

(...)

Adquira o seu exemplar através do e-mail eduardomacedobms@gmail.com.

6 comentários:

Paulo Airton disse...

Sua fama já se espaiou
por este mundo a fora,
já sintí, chegou a hora
de você desencantar.
Conhece o lado completo
do sentimento do amor,
define o cheiro da flôr
melhor que qualquer poeta.
Afirmou no documento
que é um cabra da peste,
o jibão é sua veste
quando monta o ventania.
Desejo pois a você,
ser um poeta feliz,
que nunca empine o nariz
quando cheirar o sucesso.
Você merece a glória
que coroa o nordestino,
prá nortear seu destino
no rumo de cordelista.

Antônio Luiz Macêdo disse...

VOAR POR ENTRE AS ESTRELAS
NAS ASAS DE UMA JANGADA,
EM MEIO À LUA ESPANTADA
E ADMIRADA DE VÊ-LAS,
QUAIS VELAS BRANCAS, LIGEIRAS,
ROMPENDO A FORÇA DO VENTO,
VOANDO NO PENSAMENTO
POR SOBRE AS ONDAS DO MAR,
NÃO HÁ O QUE MAIS FALAR
DO SONHO TORNADO AMOR.
JANGADEIRO VOADOR,
VOA O SONHO DE VOAR.

Marcos pereira disse...

como posso comprar os folhetos? gostei muito do que pude ler!!!

Eduardo Macedo disse...

Caro Marcos, cada unidade dos folhetos custa R$ 2,00. De acordo com as quantidades calculamos o valor do frete. Pode me contatar no eduardomacedobms@gmail.com. Grato.

Lúcia Menezes disse...

Meu querido, adorei seu cordel!
Fiquei encantada com o romantismo e a bravura do amor desenfreado/ desse destemido pescador/ que por você foi criado! É um poema completo onde não há desamor/ e sim um grande romance guerreiro devastador/ Só mesmo um grande artista/ de pensamento, intimista!
Sabe esse tipo de clamor/ a luta do homem que sofre na busca de seu único e grande formoso Amor...
Parabéns, desculpe as minhas rimas! Sempre que venho aqui fico inspirada, embora não saiba nada frente ao seu rico talento criador!
Lúcia Menezes(sua mãe)

Geraldo Junior disse...

Me sinto honrado, amigo!
Um grande abraço!


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